CUIABÁ 300 ANOS: A arte de ser cuiabano

A arquitetura, a culinária, a música, a dança e o jeito cuiabano de ser continuam sendo repassados de geração a geração

A capital de Mato Grosso completa 300 anos e mesmo com toda essa idade pode se orgulhar de ter suas tradições sendo continuamente resgatadas. Ultimamente a cuiabanidade está na moda, e a gente que aqui vive se orgulha de poder exibir uma bela história. Seja através de sua arquitetura, sua culinária, sua dança e seu linguajar mais que charmoso. Preocupados com que a cuiabanidade não se perdesse com o tempo e com tradições de migrantes sendo inseridas no dia a dia local é que algumas pessoas, mesmo que sem querer, através de seu trabalho acabaram por colocar de novo a cuiabanidade na vitrine cultural diária para serem apreciadas pelas novas gerações.

Só para citar alguns, temos na música Henrique e Claudinho, que levaram o rasqueado para o Brasil ao impressionar os sertanejos Zezé di Camargo e Luciano. Valorizando não só o som como os instrumentos cuiabanos está o músico Abel Santos que se apaixonou e carrega sua viola de cocho pelo Brasil e o mundo.

O prestígio ao linguajar e o modo cuiabano de ser foi iniciado com o saudoso ator Liu Arruda, com a famosa comadre Nhara e seu marido Djuca e o filho Gladstone, fumante do cigarrinho do “capeta”, e Ramona, uma filha bem…liberada. Hoje o reino da cuiabania está nas mãos de novos atores. Os mais famosos atualmente são os comediantes Nico e Lau. Criados em 1995 pelos atores Lioniê Vitório e Justino Astrevo, respectivamente um levergense e um cuiabano, após uma longa história pelo teatro mato-grossense. Quando completaram oito anos de trabalho caíram nas graças do humorista Chico Anysio e mais tarde do ator global Paulo Betti. Procurando atingir todas as gerações, os humoristas investem nas áreas de revistas de quadrinhos e fonografia.

Ativos, eles promoveram o Projeto Festival Nacional do Humor, que alavancou a comédia no estado. No evento já tiveram participações de humoristas nacionais e também de atores regionais como Ivan Belém, Romeu Lucialdo e Totó e Thiago. No caso da escrita, quem luta para manter o “cuiabanês” vivo é o jornalista Pedro Rocha Jucá, que organiza um dicionário com as mais diversas expressões cuiabanas.

Na sétima arte não se pode esquecer de quem prestigia estas plagas como o cineasta Amaury Tangará, com seus longas “A oitava cor do arco íris”, filmado pelas ruas de Cuiabá e “Pobre é quem não tem jipe”, só para citar algumas de suas obras que já ganharam o Brasil em diversos festivais ajudando a levar o nome de Cuiabá e Mato Grosso para as mais distantes terras. Seguindo seus passos está o jovem cineasta Bruno Bini, que já tem colhido vários prêmios com seus trabalhos como o “Comprometendo a Atuação”.

Um artista bem popular. Assim pode ser definido Joãozinho do Cavaco, idealizador do Clube Digoreste juntamente com a cantora Jú Baiana. Digoreste, na linguagem cuiabana significa algo fantástico, bacana. Segundo Joãozinho, a criação do Clube surgiu da necessidade de aglutinar toda a programação cultural que ele já vinha realizando em um único projeto. “Antes tínhamos vários projetos e agora transformamos todos eles numa coisa só, pois o objetivo é um só: revitalizar a cultura cuiabana, principalmente o nosso rasqueado que está morrendo”, contou. E com eventos esporádicos nas praças cuiabanas ele tem conseguido chamar a atenção para as coisas de Cuiabá.

Na dança, o grupo Flor Ribeirinha ganhou o mundo e venceu o principal prêmio internacional da Turquia.

Enfim, não caberia numa página toda a riqueza cultural dessa gente que inventa e reinventa a arte cuiabana. Ainda há muitos poetas, atores, cantores, músicos, artesãos e pintores que contribuem com a disseminação dessa arte de ser cuiabano. O bom é que, do jeito que o sangue artístico e cultural corre no sangue dessa gente, assim vai caminhar a cuiabanidade pela via da cultura ainda por muitos séculos. Disso, podemos ter certeza!

Fonte: DC (Adriana Nascimento)

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